Por: Capital 95 | 2026-08-27
Paula Fernandes decidiu abrir o baú de lembranças antes de voltar ao palco da Festa do Peão de Barretos. Dez anos após sua última apresentação no evento, a cantora revisitou feridas profundas da carreira. E desse modo, fez revelações impactantes sobre os bastidores do sertanejo.
Aos 41 anos, prestes a completar 42 anos, a artista conversou com a BBC News Brasil e falou sobre machismo, ataques, exaustão, depressão, bem como os momentos mais difíceis antes da fama.
Paula Fernandes expõe machismo no sertanejo
Reconhecida como uma das mulheres que ajudaram a abrir espaço para outras artistas no gênero, Paula relembrou o estranhamento que enfrentava nos bastidores quando alcançou o auge, em 2011.
Naquele período, chegou por exemplo a cumprir uma agenda de 220 apresentações em apenas um ano. Além da rotina intensa, precisou lidar com uma estrutura pensada quase exclusivamente para homens.
“Não consigo descrever o olhar de espanto de quando eu chegava. ‘Por que ela pediu um banheiro no camarim? Por que pediu um espelho?'”, contou, primeiramente.
Paula Fernandes faz balanço da carreira
Corpão de Paula Fernandes sempre chamou atenção
Paula Fernandes anuncia nova fase na carreira
De acordo com Paula, até necessidades básicas eram tratadas como exigências excessivas. “Pedir um palco sem buracos para usar salto são necessidades femininas, não luxo”, afirmou.
A cantora também relembrou os rótulos que recebeu durante o sucesso. Ela era frequentemente chamada de “antipática” e “chata”, enquanto rumores sobre sua vida amorosa circulavam na imprensa.
“Me deram cinco namorados em uma semana. Aí a frase era: ‘boazinha, mas passa o rodo, né?’. E eu solteira, super quietinha”, recordou.
Cantora relembra momento mais difícil
Por trás do sucesso, Paula também enfrentou uma juventude marcada por dificuldades financeiras e depressão. Aos 18 anos, chegou a pensar em tirar a própria vida.
Ela rejeitou ainda os questionamentos sobre sua infância humilde em Minas Gerais. A artista afirmou que viveu em condições de extrema pobreza, em uma casa sem luz elétrica e sem banheiro.
Ao recordar o período mais delicado, Paula destacou a importância da mãe, Dona Dulce, para sua sobrevivência.
“Se não fosse por ela, eu tinha pulado aquela janela. Com 18 anos, eu escolhi uma janela para pular, e minha mãe falou: ‘se você pular, eu vou pular antes’. Minha mãe me salvou milhões de vezes”, emocionou-se.
Paula Fernandes critica uso de inteligência artificial
A sertaneja também falou sobre as transformações provocadas pela tecnologia na música. Entretanto, quando o assunto é inteligência artificial, adotou uma postura bastante crítica.
“Me nego. Como criadora, é inadmissível usar uma vírgula do Chat. É um crime contra minha natureza”, disparou.
Para Paula, a tecnologia não consegue reproduzir a profundidade necessária para criar uma obra capaz de emocionar. “A IA não tem profundidade. Para emocionar, tem que ser humano, vulnerável, profundo”, afirmou.
Por fim, a cantora comentou a pressão para que artistas sertanejos assumam posições políticas publicamente. Apartidária, ela defendeu o direito de manter o voto como uma escolha pessoal.
“Eu sou uma representante da poesia, da arte, e a arte é universal. Eu não me sinto apta a fazer isso. Na hora do meu voto, ele é meu voto”, declarou.
